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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Logística limitada aumenta custos


Um planejamento logístico eficiente deve levar em consideração os custos e o tipo de carga para escolher que tipo de transporte deve ser utilizado. As mercadorias serão transportadas em caminhões, trem, navio ou em avião? No Rio Grande do Norte, contudo, a lista de opções é sempre limitada. As cargas que chegam ou saem do Estado precisam obrigatoriamente ser escoadas através das rodovias ou do Porto de Natal, tendo em vista que os transportes de carga ferroviário ou aeroviário são praticamente inexistentes no RN. Essa limitação aumenta os custos e retira competitividade do mercado potiguar.
Segundo dados de especialistas, o preço do frete significa em 64% dos custos com logística e ao mesmo tempo, quando bem gerido, pode resultar em lucro para o empreendedor. A situação de Natal, onde a esmagadora maioria das mercadorias é importada e exportada através de caminhões e carretas, se repete ao longo do país. O Brasil, como é sabido, solidificou sua opção pelo automóvel nos últimos anos e no transporte de cargas isso não é diferente. Cerca de 58% das cargas no país é transportada em rodovias. No Rio Grande do Norte, essa porcentagem é ainda maior. E isso tem um custo.
Há várias distorções por conta dessa utilização somente das estradas. O minério de ferro, por exemplo, vai de caminhão até o porto para que seja exportado. Pelas características da carga - muito volume e muito peso - o mais coerente seria um escoamento via linha férrea até o porto mais próximo. "Nós exportamos minério sobre rodas, o que é um absurdo. Isso encarece o produto, tira competitividade. É preciso mais planejamento", aponta a consultora na área de logística, Karla Motta. Além do caso do minério, há também as dificuldades na fruticultura, que precisa levar de caminhão os seus produtos até o Porto de Pecém, no Ceará, por conta de dificuldades na infraestrutura.
O presidente da Federação das Indústrias do RN, Amaro Sales, lamenta que existam tão poucas alternativas para o escoamento da produção no Rio Grande do Norte. "Uma carreta custa caro e tem uma capacidade baixa de transporte. Isso encarece a operação e dificulta a vida do empreendedor no Rio Grande do Norte.
Todo esse contexto pede mais urgência em seu enfrentamento justamente por conta da criação do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. O novo aeroporto promete trazer, além de oportunidades de negócio, facilidades para todo o setor produto do Estado. Por sua vez, essa atração de investimentos só será possível a partir da construção de um malha de infraestrutura e logística. Não é possível pensar o novo aeroporto sem uma conexão com outros modais de transporte. Tanto o Porto de Natal quanto as linhas férreas, sem contar com as estradas, continuam fundamentais para o desenvolvimento do Estado.
O Aeroporto de São Gonçalo do Amarante fica "menor", caso esses outros modais não recebam investimentos. "Não concebo não haver uma ligação férrea na Região Metropolitana, indo até São Gonçalo. Também o Porto não tem espaço para abrigar mercadorias, o que torna necessário uma série de investimentos", diz Karla Mota, enfatizando que tudo isso precisa estar articulado com um plano de logística.
A avaliação de Karla Motta é que, nesse momento, é preciso planejamento. "O Governo já vem há muito tempo adiando a tomada de decisão a respeito da infra-estrutura em logística do Rio Grande do Norte. Se não investirmos, vamos continuar atrás de estados vizinhos, como o Ceará e Pernambuco", explica. A elaboração de um Plano Estadual de Logística é fundamental. "Outros estados já tem um planejamento claro desde 2004 e o Rio Grande do Norte ainda não fez nenhum", encerra.
Plano estadual precisa ser concluído e implementado
Em 2008, o Governo do Estado iniciou a confecção do plano, mas não houve conclusão. Os motivos alegados pela nova gestão, que assumiu no início do ano passado, vão desde a falta de pagamento à empresa vencedora da licitação até a falta de diálogo com órgãos hoje considerados importantes nessa discussão, como a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Segundo a secretária estadual de Infraestrutura, Kátia Pinto, haverá um novo convênio e o estudo para o Plano por sua vez será reiniciado.
Já existe a disposição do BNDES de financiar os estudos que darão origem ao novo plano. Ao mesmo tempo, a CNT manifestou o interesse de participar, mediante convênio, dessa elaboração. Ainda não há previsão para finalizar esse Plano e nem para oficializar o convênio. "O diálogo para a realização desse Plano está em curso, provavelmente com a Confederação Nacional dos Transportes", explica Kátia Pinto.
Um dos pontos já em discussão é justamente a ampliação do alcance do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), incluído no PAC 2 para atender a região entre Natal e Ceará-mirim. Há um pleito, tanto da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante quanto do Consórcio Inframérica, segundo informou Kátia Pinto, para a ampliação dessa rede até São Gonçalo do Amarante. A necessidade de ligação ferroviária no Rio Grande do Norte é muito maior. O minério produzido no Seridó, por exemplo, poderia ser escoado através de trem. Tudo isso será visto no Plano Estadual de Logística, de acordo com a secretária Kátia Pinto.
Contudo, o anúncio acerca do VLT não inclui a ampliação até São Gonçalo. Segundo fontes do Governo do Estado e da CBTU, essa ampliação ainda é uma intenção. Não há projeto e nem recurso assegurado para ampliar a oferta até a cidade onde estará o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante. A prioridade é garantir a viabilização do VLT na linha já existente, até Ceará-mirim.

Mercado de Trabalho

A necessidade das empresas de manter um setor de logística adequado e eficiente faz com que o setor fique aquecido para o profissional. "A logística ganhou um novo status, porque temos no mercado uma situação nova, em que tudo tem de ser feito com mais rapidez e qualidade, além de oferecer um bom atendimento. E, nesse cenário, o papel do profissional é fundamental", diz Rafael Bassani, coordenador do curso tecnológico em Logística da Unisinos. O profissional é contratado para atuar no transporte de cargas, mas também em toda parte que envolve negociação, análise de mercado e planejamento. É requisitado ainda para trabalhar na área de importação, exportação e roteirização, ou seja, definir qual a rota a seguir para a entrega de cargas, otimizando tempo e custos. Ele encontra boas oportunidades em empresas de logística nacional e internacional e também em companhias dos mais diversos setores, como transporte, alimentício e vestuário, entre outros. Os grandes centros urbanos, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, constituem os melhores mercados. O Nordeste acena com boas perspectivas para os próximos anos. 

Salário inicial: R$ 1.300,00 (fonte: profa. Hellen Fernanda Nunes, da UEG).

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quatro capitais do país poderão ter novos aeroportos



Gustavo do Vale, presidente da Infraero: "Nos próximos cinco anos, temos que pensar em novo aeroporto em SP"
Pelo menos quatro capitais brasileiras poderão exigir a construção de novos aeroportos para driblar restrições técnicas ou sustentar o crescimento da demanda nos próximos dez anos. Os casos mais urgentes são o de Porto Alegre e o de Rio Branco, mas a decisão de erguer novos empreendimentos depende de estudos ainda em andamento, segundo a Infraero.

O presidente da estatal, Gustavo do Vale, afirmou ontem que Salvador e Recife enfrentam dificuldades para ampliar suas pistas atuais e a solução também pode acabar sendo a transferência da infraestrutura existente nessas duas cidades.

De acordo com Vale, o aumento da demanda fará com que a região metropolitana de São Paulo possa ter um déficit de 30 milhões de passageiros na capacidade aeroportuária "entre 2032 e 2040", mesmo com os investimentos em expansão previstos para Guarulhos e de Viracopos. "Nos próximos cinco anos, temos que pensar em novo aeroporto em São Paulo", disse o presidente da estatal.

A declaração pode tirar do congelador a ideia de um aeroporto em Caieiras (SP), embora a Secretaria de Aviação Civil tenha deixado claro que não há preferência pelo projeto apresentado pela Camargo Corrêa e pela Andrade Gutierrez. "Não há nenhum candidato", afirmou o secretário-executivo do órgão, Cleverson Aroeira.

Nos casos de Porto Alegre e de Rio Branco, a expectativa de Vale é de uma decisão ainda neste ano sobre a necessidade de novos aeroportos. Na capital gaúcha, o Exército entrega à Infraero, até o fim do mês, o projeto básico para a ampliação da pista em 900 metros.

A pista deverá passar dos 2.400 metros atuais para 3.300 metros, o que requer investimento de R$ 170 milhões, no mínimo. Ocorre que uma nova norma do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), prevista para entrar em vigência no dia 17, pode "prejudicar a plena operacionalidade" da pista, segundo Vale.

O maior prejuízo seria às operações de cargas. Há cerca de 400 obstáculos - como edifícios - na aproximação dos aviões, reduzindo o espaço útil da pista, ou tornando a obra inviável com o gasto em desapropriações. Por isso, "já passou da hora" de a capital gaúcha ter um novo aeroporto, diz.

O governo gaúcho tem estudos avançados para esse projeto, batizado provisoriamente de Aeroporto Internacional 20 de Setembro, com área total de 25 quilômetros quadrados, suficiente para até três pistas, e localizado entre os municípios de Portão e Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre. Para o presidente da Infraero, se houver decisão favorável ao novo aeroporto, "podemos fazer a construção e a administração em parceria com o setor privado".

Vale mencionou, como exemplo, o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, nas proximidades de Natal, em que a Infraero banca a construção da pista e o terminal de passageiros será construído e administrado por um consórcio privado - a empreiteira brasileira Engevix e a operadora argentina Corporación América.

O outro caso crítico é o de Rio Branco, onde a pista é "um verdadeiro tobogã", segundo o presidente da Infraero. Ela tem passado por reformas para corrigir a inclinação, que é motivo de reclamações das empresas aéreas.

A estatal fez um convênio com o governo do Acre para a realização de estudos geológicos e desenvolvimento de projeto básico de engenharia para a construção de uma nova pista - dessa vez de concreto, material mais caro que o asfalto reforçado para pousos e decolagens de aeronaves. Se os estudos apontarem que essa pista também ficaria em um terreno de argila sedimentar, a melhor alternativa pode ser a construção de novo aeroporto.

Para atender ao crescimento da demanda futura, Vale afirmou que há a necessidade de novas pistas em Confins e em Curitiba, mas que existe espaço suficiente nesses casos e não se pensa na construção de novos aeroportos.

Em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, para discutir o recente leilão de aeroportos, o ministro Wagner Bittencourt reiterou que a intenção do governo é usar o dinheiro das outorgas na expansão da infraestrutura para a aviação regional. A Secretaria de Aviação Civil estima que o novo fundo setorial, já criado e prestes a ser regulamentado, deverá receber cerca de R$ 1 bilhão por ano com o pagamento de outorga pelas concessionárias vitoriosas no leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.
Bittencourt defendeu o ágio médio de 347% e os consórcios vencedores. "Se todo mundo tivesse dado um ágio de 3% e outro de 600%, poderia haver dúvidas sobre a qualidade do negócio", afirmou. Ele aposta no aumento das receitas comerciais nos três aeroportos, mas ressaltou que a Anac será rigorosa na fiscalização. "Se o edital não for cumprido, se o contrato não for cumprido, providências serão tomadas."